Por Beatriz Oliveira e Maria Clara Nunes
Nove unidades estão espalhadas em Uberlândia, oferecendo refeições e apoio a comunidades que enfrentam vulnerabilidade social.
O cenário de insegurança alimentar de Uberlândia foi agravado durante a pandemia da Covid-19, isso originou uma importante rede de mobilização popular: as cozinhas solidárias. Hoje, nove unidades estão espalhadas por diferentes regiões da cidade, servindo como pontos de apoio vitais para comunidades em situação de vulnerabilidade social. Presentes nos bairros Zaire Rezende, Maná, Torres, Dom Almir, Santa Clara, Morada Nova, Glória, Fidel Castro e Jacy de Assis, essas iniciativas transformam a preparação de refeições em um ato de resistência e solidariedade.
Mais do que apenas locais de distribuição de comida, essas cozinhas funcionam como ferramentas sociais estratégicas, oferecendo um espaço de convivência que, em muitos casos, supre a ausência do poder público. Elas garantem não apenas nutrientes, mas também o que os voluntários definem como “alimento com afeto”.
O Trabalho por Trás do Prato
A rotina é intensa e depende inteiramente da dedicação de moradores e voluntários. Na cozinha Zaire Rezende, o trabalho é coordenado por João Batista, conhecido como o Barba.
Barba conta com o apoio fundamental de voluntárias como Lindimar Alves, conhecida como Madrinha, e Maria Lourdes da Silva Oliveira. Já na unidade do bairro Carlito Cordeiro, que também é administrada por ele, o esforço diário é sustentado por Cleonice Ferreira e Tailane Moreira. Eles são quem fazem as cozinhas funcionarem.
A jornada envolve desde a captação de doações até a higienização do local e a distribuição das marmitas, além da organização de um espaço para as pessoas comerem. No entanto, o funcionamento dessas unidades enfrenta desafios constantes.
Recentemente, as cozinhas enfrentaram uma redução significativa do estoque de mantimentos. Alimentos destinados às iniciativas foram redirecionados para atender as demandas provocadas pelas catástrofes ocorridas em Juiz de Fora. Mesmo com as prateleiras mais vazias, Barba e sua equipe mantêm o compromisso de não “deixar a peteca cair”, lutando diariamente para garantir que a comunidade não fique desamparada.
A Importância da Regularização e o Apoio da UFU
Para superar a instabilidade dos estoques e garantir a continuidade do serviço, a regularização das cozinhas é um passo decisivo. Então entra o papel da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Por meio do Centro de Incubação de Empreendimentos Populares Solidários (Cieps), ligado à Pró-reitoria de Extensão e Cultura, a universidade tem oferecido suporte técnico e administrativo para habilitar as cozinhas no Programa Cozinha Solidária do Ministério do Desenvolvimento Social.
Atualmente, das nove cozinhas de Uberlândia, apenas duas estão devidamente habilitadas. A atuação da UFU busca mudar essa realidade, auxiliando em processos como o cadastramento e a realização de assembleias.
Essa parceria é fundamental, pois, uma vez habilitadas, as cozinhas podem acessar benefícios do Governo Federal, tais como:
- Fornecimento regular de alimentos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);
- Capacitação para os colaboradores e parceiros;
- Apoio financeiro para manutenção das atividades.
Como destaca a diretoria do Cieps, essa colaboração cria uma ponte entre o conhecimento acadêmico e as necessidades reais da população, fortalecendo as redes locais de combate à fome e garantindo que o direito básico à alimentação seja respeitado de forma digna e contínua.
A rotina de quem escolhe estar lá
Durante a visita da Agência Conexões à Zaire Rezende, pudemos ver um pouco da rotina. A cozinha abre às 07H00 da manhã, começando o processo bem cedo, limpando os utensílios e o local que vão utilizar. Às 09H00, já começam a preparar o almoço, cortando todos os ingredientes e separando os temperos. Madrinha, como ela prefere ser chamada, comentou que eles começam a fazer as comidas muito cedo porque só conseguem usar uma boca do fogão, se ligar mais de uma, o botijão de gás congela. Mas apesar das dificuldades, eles continuam ali, tentando fazer algo para as pessoas, mesmo ainda sem auxílio governamental. Às 11H00 as pessoas já começam a chegar e pegar as suas fichas, à espera do almoço. Lá eles ficam até a comida acabar, muitos ajudam a limpar e organizar o local, que faz muito por eles, mesmo tendo pouco.
No fim, o impacto das cozinhas solidárias não está apenas nas refeições preparadas, elas impactam também as pessoas que dedicam seu tempo para manter e ajudar o lugar. As cozinhas retratam muito sobre o amor e solidariedade, que nascem dentro da própria comunidade. Muitas vezes, uma refeição é também uma forma de cuidado, acolhimento e esperança.
AJUDE A MANTER AS COZINHAS COMUNITÁRIAS CHEIAS!
As cozinhas solidárias de Uberlândia precisam da sua doação de alimentos não perecíveis, proteínas e temperos para continuar servindo refeições diárias a quem mais precisa.
📍 Onde entregar sua doação:
CIEPS / UFU – Campus Santa Mônica
Bloco 1S (Térreo) – Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC)
Horário: 8H00 às 12H00.
Qualquer quilo de alimento faz toda a diferença.


