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Entre insegurança e estigma, quem explica a violência no Santa Mônica?

Agência de Agência
14 de julho de 2026
em Opinião
0
Arte com fundo preto e cinza escuro, com seis molduras circulares com fotografias de diferentes pontos do Santa Mônica. As fotos apresentam ruas, postes com fiação, céu azul com nuvens brancas, área verde com prédio da biblioteca da universidade ao fundo e bar com bandeirinhas do Brasil. A direita tem o título “Entre insegurança e estigma”, abaixo em fonte menor “Quem explica a violência no Santa Mônica”. No canto inferior direito está a logo da agência conexões em branco.

Imagem com fotografias de diferentes locais do Santa Mônica (arte por Ório Euzébio Freitas)

Por Ório Euzébio Freitas

Basta uma rápida olhada nos comentários de grupos de denúncias de redes sociais para encontrar o veredito: para parte dos moradores, a culpa da violência vivida no bairro Santa Mônica é culpa dos universitários. É comum ouvir essa associação em conversas ou postagens que relatam a desordem na região, frequentemente ligada à universidade.

No entanto, generalizar e rotular o estudante como o causador dos problemas distancia a comunidade acadêmica da cidade.

E também desvia  o foco dos debates sobre segurança pública. Ao buscar um grupo culpado, deixam de ganhar espaços discussões sobre políticas públicas mais assertivas, que beneficiam estudantes, moradores e trabalhadores da região.

É curioso notar esse embate: enquanto parte dos vizinhos associa os alunos ao perigo, os próprios universitários são alvos constantes da insegurança nas ruas do bairro. A criação de grupos de acompanhamento e outros usos de estratégias coletivas de proteção são iniciativas para evitar situações de risco, que revelam o quanto a comunidade se sente fragilizada.

Embora a presença da comunidade universitária aumente a circulação de pessoas e possa tornar determinadas áreas mais movimentadas, isso não significa que os estudantes sejam responsáveis pelo aumento da violência. O problema precisa ser entendido de forma mais ampla, o ambiente universitário não é o fator causador de violência, mas sim a vítima de uma violência urbana que atinge diferentes grupos sociais de formas distintas.

Será que essa insegurança está realmente ligada à presença de estudantes ou a fatores estruturais de segurança pública negligenciada?  O crescimento acelerado das cidades, a expansão sem planejamento adequado, desigualdades socioespaciais e falha no sistema econômico do qual estamos todos incluídos, são elementos que poderiam ser mais creditados como fatores do aumento da criminalidade.

É preciso lembrar também que o Santa Mônica é mais do que um bairro universitário. De acordo com o IBGE, a região tem 37.665 habitantes, enquanto o Comunica UFU destaca que a universidade reúne cerca de 20 mil estudantes. Mesmo na hipótese em que todos os estudantes, em todos os seus 7 campi,  residirem no bairro, os universitários seriam apenas uma fração da população local. Esse “peso demográfico” estudantil é incapaz de justificar os índices de violência, provando que a insegurança nasce da insuficiência de respostas públicas e não dos moradores.

Quando a comunidade precisa recorrer a estratégias individuais de proteção, como a contratação dos “guardinhas noturnos”, organização de grupos de avisos ou para pedidos de ajuda, fica evidente que a segurança pública falhou. E na necessidade de encontrar responsáveis por problemas tão complexos, corremos o risco de ignorar as cobranças que realmente deveriam ser feitas às autoridades.

Para além de reproduzir estigmas e estereótipos, vale a pena refletir: Por que é mais fácil responsabilizar os estudantes? Talvez porque admitir a falha sistemática do poder público seja encarar um problema muito mais difícil de resolver.

Tags: Santa MônicasegurançaUberlândiaUFUviolência

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